segunda-feira, 21 de março de 2011

Água

Ele é feito tempestade
chovendo lágrima, suor e saliva.
Respingando em cada pingo,
cada gota do sentimento.

O homem inunda o mundo de beleza!

Meu corpo frígido teme,
mas cede à sede que possui,
pois onde há água, há alegria.

Ele, homem-chuva
é em teu corpo aguado
a fonte do que transborda
dentro em mim...

e me afoga, me afoga, me afaga.


À Juanma

A origem da coisa

Diante do que se agiganta, sinto quase as mesmas agonias de outrora, coisas que ficaram guardadas n'algum canto, latentes.
Aquilo que parece inexistente, na verdade se recolhe! E se manifesta , assim, de repente(mente): num reconhecer, numa caminhada acidental...
Arritmia no peito, timidez sem culpa e um vontade de estar longe à vista, mesmo querendo estar bem perto.
Não se sabe bem de onde surge o sentimento, se da beleza que se apresenta, se da química dos corpos, ou das flechadas de um anjo qualquer.
Eu, mesmo sem saber a origem das coisas, surpresa, durmo com um sorriso na face da emoção de ter sentido o que senti agora a pouco.

ai,ai...

domingo, 8 de agosto de 2010

Chuva


by Goeldi
Quando é noite e chove
peço cama.
Ele, caminha.

domingo, 13 de junho de 2010

Meu segredo

Lhe guardo a sete chaves dentro em mim
Palavras devem silenciar minha confissão
Me aproximo e me calo, sussuro
pra não deixar escapar o meu segredo
Tudo parece óbvio é meu corpo
que deixa transparecer toda vontade
aquela vontade; aquela...
O que seu olhos ditam, homem
é o que meu corpo pede
é o que meu peito teme,
promíscuo e irremediável


À Nikolas Da Fonseca

sábado, 4 de abril de 2009

Para Cara Cora Linda


Era Ana de nome,
mas poderia se chamar Maria
Maria como tantas outras;
ventre de parir muito,
mãos de bem cozer.
Fez-se Cora Coralina
e acabou dando no mesmo
Era Maria: Mãe, Esposa, Santa...
Recriando o mundo com palavras,
concebeu o milagre de se eternizar no tempo;
porque poesia é feito escada pro céu!

quinta-feira, 5 de março de 2009

Agonia (Sábado, 28 de abril de 2007)


Tudo me parece tão abstrato, tão inconsistente
As palavras me fogem, os beijos são efêmeros
A obrigação é um fardo e as metas inatingíveis
É tão bom viver enquanto se dorme
...

A felicidade me chega ofegante, desesperada
Extravasando cada segundo da minha existência
O sorriso está sempre à face e os meus olhos não param de chover!
É tudo tão tempestuoso aqui dentro, um exagero para todas as coisas
O interno intenso conflitando com o vazio daqui de fora

....

Procuro consistência na matéria e não acho !
É tão bom viver enquanto se dorme
Dormindo a alma se liberta
Passeia no mundo dos sonhos, pelo inimaginável

...

Sempre soube, desde pequena ,
que não levo muito jeito para as coisas todas da vida
Transito pelo mundo dançando, saltitante ,serelepe
respingando todo o sentimento para todos os lados
Abraços, afagos, carícias...Tudo é tão enganosamente lindo
E os meus olhos não param de chover

...

Já dizia Clarice : Não sou alegre, nem triste, sou poeta.